10 de julho de 2017

[AUTORANDO] 5 MOTIVOS PELOS QUAIS TOLKIEN É O MAIOR AUTOR QUE VOCÊ RESPEITA


            Falae circenses, tudo bem? Aqui é o Jan Santos.

Quando se fala de Tolkien, é preciso realmente fazê-lo com respeito, gostando ou não do trabalho do cara. Se hoje gostamos de literatura fantástica, de jogos eletrônicos ou RPG, de grandes produções cinematográficas que prezam tanto pela aventura quanto pelo drama, é tudo porque um dia houve um senhor chamado John Ronald Reuel Tolkien.
           É até estranho escolher apenas cinco motivos para olhar o trabalho de uma lenda dessas e dizer o motivo de ser único e digno de culto, mas se tratando de um post, a gente faz o que pode.


1 – Tolkien não criou um mundo logo de cara, ele criou idiomas.

                Mundos em apuros, um senhor do mal, elfos lindos e anões cabeça-quente? O que torna a fantasia de Tolkien interessante não é o uso desses elementos, mas o fato de que foi feita com extremo cuidado. Quantos autores de fantasia você conhece que foram capazes de criar não uma língua, mas LÍNGUAS, uma (ou até três) para cada raça?

Sendo linguista, Tolkien não juntou um emaranhado de palavras de idiomas variados e chamou de língua, mas desenvolveu idiomas e dialetos a partir das características específicas de cada raça que imaginava, cada uma dotada de vocabulário, grafia e gramática próprias: para os elfos, o quenya e o sindarin, pois eram idiomas que deslizavam na língua, tão suaves na fala quanto os próprios elfos eram belos de se olhar; aos anões, uma língua mais rude, cheia de letras ‘K’ e ‘R’, algo mais travoso de se falar; e é claro, o idioma proibido de Mordor, que só de ouvirmos já temos a certeza de se tratar de algo impuro, reservado apenas a orcs e criaturas corruptas.

2 – A partir de idiomas, ele criou culturas elaboradas.

                Tolkien é um dos poucos autores de fantasia que entendeu que línguas diferentes são sinônimo de uma compreensão diferente de mundo, de costumes tão completamente únicos que podem ser comparados à diferença que percebemos entre o Oriente e o Ocidente. Tolkien fez algo semelhante, e contando apenas com a própria criatividade.

                Nenhum povo imaginado por Tolkien se compara ao outro, nem mesmo entre os inúmeros reinos dos homens: Rohan não pode ser comparada com Gondor, assim como os elfos de Valfenda não podem ser confundidos com os elfos de Lothlórien ou da Floresta das Trevas, da mesma forma que fica claro para o brasileiro a diferença de fala ou comportamento entre um gaúcho e um amazonense, entre um japonês e um alemão.

3 – Ninguém criou uma saga comparada à complexidade das histórias da Terra Média.

                É realmente complicado perceber o quão bem elaborada é a saga de Tolkien lendo somente O Senhor dos Anéis ou O Hobbit: é preciso se aventurar ao longo de histórias que sobrevivem a mais de cem anos desde sua primeira publicação para compreender por que a família de Aragorn é respeitada, o motivo de Gandalf ser uma das únicas criaturas temidas por Sauron, ou compreender o que levou os anões de volta à Montanha Solitária, mesmo sabendo que teriam que enfrentar um monstro como Smaug.

                O Silmarillion, Contos Inacadas e Os Filhos de Húrin são histórias tão icônicas quanto aquelas adaptadas ao cinema por Peter Jackson, e são parte de um universo tão cuidadosamente elaborado que só pode encher o Universo Cinematográfico da Marvel de inveja. São enredos que, ao mesmo tempo que sustentam-se bem sozinhos, contribuem de forma indispensável para o desenrolar dos 3 mil anos de eventos da Terra-Média.

4 – Grande parte das possibilidades de escrever fantasia derivaram do modelo tolkiano.

                E por isso chamo Tolkien de o pai da fantasia moderna, pois seus enredos deram origem a uma fórmula única de escrever fantasia. Poucos são os grandes nomes da fantasia contemporânea que não aprenderam algo com Tolkien: da mesma forma que ninguém que estude poesia consegue sair da sombra de Aristóteles, poucos são os que renunciem a Tolkien quando o assunto é buscar referências.

                Autores como J.K. Rowling, Neil Gaiman e George Martin já o citaram como um nome de destaque em suas listas de leitura, e há poucos RPG’s que não estejam permeados de sua influência. Um herói improvável precisa lidar com o perigo iminente? Ele conta com um sábio para guiá-lo em sua jornada? Há um objeto de poder tremendo junto dele? Uma guerra é travada no meio disso? Uma criatura sinistra manipula tais eventos em nome do poder absoluto? Ninguém organizou tão bem e de forma tão rica essas premissas como Tolkien.

5 – Ele criou Gandalf.
                Só isso já seria motivo suficiente. Gandalf não é só um dos personagens mais emblemáticos da literatura fantástica, tampouco apenas um dos mais poderosos e sábios, mas é ele que torna a montagem do universo de Tolkien tão perfeita: são as ações do mago que desencadeiam a maior parte dos eventos que dominam o último milênio da Terra-Média.

                São poucos os personagens que conseguiram ter uma relevância tão sólida para um universo ficcional, e como vemos ao longo de O Silmarillion, Contos Inacabados, O Hobbit e finalmente em O Senhor dos Anéis, é Gandalf quem maquina com engenhosidade a queda do mais recente Senhor do Escuro (porque já houve um bem pior), articulando com uma sagacidade raramente vista todos os enredos e personagens. Ele quem articulou as derrotas do dragão Smaug e do demônio Balrog, poderosos aliados de Sauron na última guerra contra Gondor, e seus atos levaram à formação da Sociedade do Anel e à ascensão de Aragorn, sem o qual o reino dos homens não teriam se unido contra Sauron.
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Tem mais algum motivo pelo qual Tolkien deve ser venerado? Tem algum pelo qual você discorda de tudo que escrevi aqui? Deixa nos comentários. ;) Nos acompanhem nas redes sociais!

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