22 de agosto de 2017

[CIRCO NERD] OS DEFENSORES, OU O ESQUADRÃO SUICIDA DA MARVEL


Eae circenses, tudo de boa? Aqui é o Jan, e após um final de semana coladinho com a estreia mais antecipada da Netflix, venho aqui dividir minhas impressões SEM SPOILERS sobre o que foi feito de Os Defensores, o grupo de heróis de rua da Marvel Studios.


O jeito Marvel de contar histórias tem se tornado uma ferramenta popular no mundo do entretenimento: um universo no qual várias narrativas diferentes se desenrolam, e que eventualmente convergem para um desfecho que vinha sendo preparado desde que a primeira história foi contada. Vemos isso no universo DC, no Dark Universe da Universal Estúdios e em filmes como Invocação do Mal (2013) e Fragmentado (2017).

O sucesso de Os Vingadores (2012) criou um verdadeiro escopo para a cultura pop, e da mesma forma que a Marvel criou sua franquia milionária para os cinemas, a parceria com a Netflix permitiu que o estúdio tentasse a mesma coisa no serviço de streaming, com mais paciência e cuidado ao contar as histórias de personagens que talvez não encontrassem o mesmo espaço nas telonas.

O resultado disso foi a gloriosa redenção do Demolidor, que, após um filme sofrível produzido pela Fox, atingiu seu potencial narrativo ao ganhar duas temporadas cujo teor adulto estabeleceu todo um novo universo a ser explorado pela Marvel, um que não conhecia os mesmos limites das grandes produções cinematográficas. Soubemos então que Os Defensores era a nova aposta a longo prazo da Marvel, que nos fez testemunhas de uma nova era para os super heróis. Vimos Jessica Jones (2015) trazer discussões sobre misoginia e abuso sexual, e Luke Cage (2016) dar visibilidade ao protagonismo negro que ainda sentimos falta em produções do gênero.


Tudo parecia promissor, até que tivemos uma decepção pesada com o último elo da cadeia. Punho de Ferro (2017) foi um verdadeiro balde de água fria para os que, como eu, estavam vibrando pelo momento em que os quatro heróis juntariam forças para combater uma ameaça maior que eles mesmos. Ainda assim, perseveramos, talvez com menos excitação, mas com fé mesmo assim.

O que a Marvel nos trouxe, após três anos preparando nossos corações, foi um resultado que pode até ser considerado satisfatório por alguns, mas que está muito abaixo do potencial que o crossover oferecia. Que eu não seja mal entendido: há momentos de puro brilho ao longo dos oito episódios, como o primeiro momento em que os heróis lutam juntos e às vezes em que lutam entre si, além de uma abordagem mais sólida da personagem Elektra (Elodie Yung), mas há problemas profundos no grande esquema das coisas.

Um deles pode ser considerado criminoso por aqueles que acompanham esse universo desde 2015: há um sentimento de que a minissérie privou cada um dos protagonistas do que os tornou memoráveis em suas próprias séries, reduzindo-os a meras caricaturas de si mesmos. Matt Murdock (Charlie Cox) repete os conflitos de identidade que vimos por dois anos, Luke Cage (Mike Colter) é quase reduzido ao papel de cara forte do grupo, o alcoolismo parece ser o único atributo de Jéssica Jones (Krysten Ritter) e Danny Rand (Finn Jones) permanece irritantemente infantil como sempre foi, o que é grave, sendo que é um personagem-chave (literalmente) na trama.

Alguns podem dizer que isso se deve ao fato de que 8 episódios não são o suficiente para desenvolver a profundidade de personagens que já conhecemos, o que nos leva ao problema seguinte: mesmo com poucos episódios, a trama às vezes parece se desenvolver de forma arrastada, sem que se estabeleça uma ameaça clara e real para os heróis, tampouco interação satisfatória entre os coadjuvantes de cada protagonista (que a produção fez questão de incluir em uma história que por definição já conta com muitos personagens).

No quesito vilania, que raramente não é um problema nas produções da Marvel, temos mais uma vez personagens que sequer chegam perto de fugir a clichês ou parecerem ameaçadores. Alexandra (Sigourney Weaver) nunca se torna a ameaça que alega ser, e as motivações do Tentáculo nunca parecem ser sólidas ou sequer identificáveis. Quando finalmente identificamos o motivo, ele sequer parece ser justificável. Ah, e as lutas infinitas com ninjas, que foi um dos pontos fracos da 2ª temporada de Demolidor, permanecem infinitas.

O que considero mais significante está justamente no conceito, o mesmo problema que me fez torcer o nariz para Esquadrão Suicida: escala. Se os Defensores não são os Vingadores, assim como o Esquadrão Suicida não é a Liga da Justiça, por que enfrentariam ameaças que os times de maior escala teriam de enfrentar? Os Defensores são os heróis de rua da Marvel, são quem mantêm pessoas como você e eu seguras da violência urbana, do mal que mora dentro de pessoas comuns. À exceção de Punho de Ferro, todas as outras séries solo entendiam isso e executaram essa visão de forma exemplar, e quando o encontro decisivo entre todas as narrativas falha no que sozinhas fizeram tão bem, o resultado da 1ª fase do universo da Marvel no streaming se torna um tanto decepcionante.

Com falhas a serem consideradas, Os Defensores, no entanto, não deixa de ser uma experiência gratificante para os fãs enquanto adaptação, afinal, foi esse projeto que nos permitiu conhecer personagens maravilhosos que não gozam do mesmo reconhecimento que Tony Stark ou Peter Parker, e como se comportam ao cruzar a vida uns dos outros, uma vez que costumam ser isolados por seu estilo de vida em função das (ir)responsabilidades.

Vale conferir, depois a gente senta e conversa mais sobre ;)

Nos acompanhem nas redes sociais! Beijos e até a próxima! #TEAMMARVEL (só brincando)

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