29 de janeiro de 2018

[RESENHA] ME CHAME PELO SEU NOME | ANDRÉ ACIMAN



"A casa onde Elio passa os verões é um verdadeiro paraíso na costa italiana, parada certa de amigos, vizinhos, artistas e intelectuais de todos os lugares. Filho de um importante professor universitário, o jovem está bastante acostumado à rotina de, a cada verão, hospedar por seis semanas na villa da família um novo escritor que, em troca da boa acolhida, ajuda seu pai com correspondências e papeladas. Uma cobiçada residência literária que já atraiu muitos nomes, mas nenhum deles como Oliver. Elio imediatamente, e sem perceber, se encanta pelo americano de vinte e quatro anos, espontâneo e atraente, que aproveita a temporada para trabalhar em seu manuscrito sobre Heráclito e, sobretudo, desfrutar do verão mediterrâneo. Da antipatia impaciente que parece atravessar o convívio inicial dos dois surge uma paixão que só aumenta à medida que o instável e desconhecido terreno que os separa vai sendo vencido. Uma experiência inesquecível, que os marcará para o resto da vida. Com rara sensibilidade, André Aciman constrói uma viva e sincera elegia à paixão, em um romance no qual se reconhecem as mais delicadas e brutais emoções da juventude. Uma narrativa magnética, inquieta e profundamente tocante."
Título: Me Chame Pelo Seu Nome | Autor: André Aciman | Editora: Intrínseca | Ano: 2018 | Páginas: 288 | Gênero: Ficção, Drama, Romance, LGBTQ

Este livro talvez seja uma das histórias mais marcantes que já li, digo isso por alguns motivos que fizeram com que a narrativa torna-se encantadora, sensível e poética. Me Chame Pelo Seu Nome, de André Ancian, é um livro de temática LGBTQ, que narra a história da relação entre Elio e Oliver. Uma narrativa simples e linear que retrata a relação de dois rapazes, mas que foge daquela fórmula de livros com a temática LGBTQ, fórmula essa que sempre procura retratar personagens que são rodeados de preconceitos, violência, doenças e mortes. Talvez por retratar uma história que vai por outro caminho que não seja esses que citei que a narrativa tenha me conquistado de um jeito extremamente marcante. Friso aqui que tais assuntos precisam ser debatidos e retratados, pois é a realidade da comunidade LGBTQ, mas ser rodeado apenas com esses assuntos cria uma imagem negativa sobre as relações homoafetivas e ao termos contato com uma simples história sobre o amor enche-nos de sentimentos bons.

Me Chame Pelo Seu Nome é um livro sensível sobre o amor que nos conta a história de Elio, um singelo rapaz de 17 anos, que convive com a arte e literatura e faz delas sua grande paixão. Conhecemos Oliver, um universitário de 24 anos que é convidado a passar um período de seis semanas em uma cidade do interior da Itália para concluir seu manuscrito a respeito de um filósofo grego e ser uma espécie de assistente do pai de Elio, na qual é um professor universitário bastante importante.   

A narrativa é formada pelas memórias de Elio daquele verão que passou com Oliver, ou seja, nosso narrado é o próprio Elio relatando suas experiências, descobertas e anseios daquele verão que deixou marcas em sua vida. O autor soube captar muito bem essa atmosfera conturbada da adolescência para a vida adulta de Elio, aquele turbilhão de sensações (negação, reconhecimento, assimilação, aceitação). Soube também dosar a sensualidade e o erotismo sem parecer grotesco ou piegas. 

O desenvolvimento da relação de Elio e Oliver e a transição da amizade para o envolvimento mais afetivo é de certo modo sutil, tranquila e até previsível, visto que o foco não é necessariamente a relação dos dois, mas todo o sentimento que engloba esse momento. Outro ponto de destaque do livro é a forma como o autor retrata a diferença de idade dos personagens e como eles encaram essa situação que para muitos é uma barreira na relação.

Volto a frisar que enalteço Me Chame Pelo Seu Nome pelo fato da ausência de violência, homofobia, doença e morte, temas esses que como já citei aparecem com uma enorme frequência em livros de temática LGBTQ. É claro que estamos distantes de um mundo ausente desses males e a literatura sendo uma "ferramenta" de denúncia a respeito dessa violência direcionada ao público LGBTQ acaba por alcançar diversos públicos. Penso que muitos leitores poderão achar que o cenário retratado e a forma como os pais do Elio, principalmente o pai dele que constrói um dos mais belos e importantes diálogos da narrativa, lidam com as situações postas são idealizadas de modo exagerado, mas reconforto-me em ver retratado outro ponto de vista a respeito de uma relação homoafetiva: uma história de amor, de amadurecimento e de autoconhecimento. 

O livro ganhou uma adaptação cinematográfica que tem se destacado e recebeu uma indicação no Oscar na categoria Melhor Filme. Assista abaixo o trailer do filme e inspire-se para ler o livro e assistir ao filme.


Vejo vocês em breve,
Elivelton.
Instagram: @luxxvis


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