31 de janeiro de 2018

[VARIEDADES] MANAUS ARTIST GANG | Janeiro: Verão


Oi gente! Tudo bem? Hoje eu vim apresentar pra vocês o Manaus Artist Gang. O MAG é um coletivo manauara que incentiva ilustradores, fotógrafos, escritores e outros artistas a divulgarem e aperfeiçoarem seus trabalhos. Todos os meses temos temas diferentes, o que ajuda na produção das artes. Faço parte do time da escrita junto com o Jan Santos e as fundadoras do MAG, Luciana Rebello e Andressa Barroso. Você pode achar o MAG no instagram no @manausartistgang, na bio tem o link do nosso grupo no whatsapp.

Essa foi a arte destaque do mês de janeiro (tema verão), do Luiz Oliveira e vocês podem ver as outras ilustrações dele no instagram @luizsymbian.

O Circo vai postar, de agora em diante, nos últimos dias dos meses, todo o material de escrita produzido pelos incríveis participantes do MAG. O tema do mês de janeiro foi verão e saíram textos belíssimos que você pode ler abaixo!
NO VERÃO - Por Henrique Rebello

Ouvi dizer certa vez,
Que o que acontece no verão é passageiro.
Que por mais que te envolva por inteiro,
Rápido se acaba, como rápido se fez.

Logo vem a chuva companheira
Solidária ao ver minhas lágrimas cair.
Tudo porque no fim da tarde te vi partir
Mostrando minha alegria ser passageira.

Ó chuva de verão,
Que com ventos varre a terra 
Sopre, sopre sobre mim e encerra
Essa dor que comprime meu coração.

Te deixo molhar meu rosto
Cobrir-me todo meu corpo 
Esfriando-me até desfalecer
Quem sabe então perecer.

Ah! Paixão juvenil
Sonho, desejo pueril
Retrato de minha essência
Reflexo de minha eterna adolescência.

Como me entorpece, me suga
Esse vício fatídico similar aos ultraromanticos
Que, de fato pereceram em seus versos de prantos
E que ora meu reflexo traduz em fuga.

Fujo da realidade
Pois logo a  chuva irá passar.
E logo virão outras estações, e a verdade…..
É que um novo verão irá chegar.


HÉLIO E A LUA - Por Jan Santos

Hélio é apaixonado pela lua de verão.

Ele sente sua chegada quando a pele esquenta sem motivo algum no meio da noite, e sabe que logo quando as chuvas pararem, ela vai voltar.

O verão faz com que a lua lhe conte algumas coisas secretas, sobre o que mora atrás do sol e debaixo do rio, sobre a verdade que se esconde no fundo do mar. E tudo isso ela lhe diz em uma voz sussurrante, uma sereia encrustada no céu.

Logo ela chegará novamente, e como em todo ano, Hélio lhe dará presentes.

Da última vez, ela se agradou bastante com os girassóis que Hélio cultivou nos fundos do quintal.

Com aquelas pedras de raio douradas que ele compra perto da igreja.

Com o potinho cheio de seiva de árvore e mel das abelhas do seu Hortêncio.

Ao fim do último verão, se ele conseguisse o presente certo, ela lhe prometeu um beijo.

Imagina isso, um beijo da lua de verão?

Hélio tinha esse sonho toda noite desde a promessa, pois já tinha o presente ideal.

Este ano vai ser especial.

A mesa já está posta.

Há girassóis e margaridas amarelas.

Há tulipas nos vasinhos longos.

Há mel e abelhas voando sobre os favos.

Há seiva escorrendo das mangas que enchem os cestos.

E há o sangue que colheu do coração de seu irmão, que Hélio passa delicadamente nos lábios quando vê a lua aproximar-se dele, tocar sua mão como uma amante e sentir o gosto aveludado da rainha da estação.

O que será que ela vai lhe pedir para o ano que vem?

 MARCELA, FILHA DO SOL - Por Ayrton de Oliveira

Tem algo de tão agradável no sol que Marcela não consegue explicar, em uma cidade em que o ano inteiro é verão, é bem melhor virar companheira do sol que reclamar o ano inteiro do vasto calor do nosso astro rei. 
Sua rotina era calma todo dia, Marcela acordava cedo para ir comprar pão no mercadinho próximo a sua casa. A jovem não era de conversar com os vizinhos, mas reconhecia todos, mesmo que os rostos já estivessem envelhecidos do tempo e do calor, pois a vizinhança era a mesma desde que a moça era criancinha.

No exato momento em que saia de casa, alguns rostos familiares já estavam nas ruas. Dona Teodora era a vizinha que morava mais próximo a sua casa, que sempre varria a calçada, tirando as folhas secas que caiam de sua mangueira. Seu Pompeu era um velho com as barbas brancas como as nuvens e magro como um graveto, essa era a sua aparência desde que Marcela se entendia por gente, quando o velho Pompeu fazia trabalhos como pedreiro na vizinhança. 

Dos outros rostos que Marcela conhecia, ela não sabia os nomes, mas criou nomes para eles mesmo assim. A vizinha da porta da frente era a “Dona Highlander”, uma senhora de 93 anos de aparência tão velha quanto o tempo que Marcela jurava que era imortal. A “Dona Rosinha” era a senhora da vizinhança que sempre estava cuidando de seus netos, a senhora não vivia uma vida parada, arranjava mil coisas para fazer pois não queria ser tratada como um peso morto, a senhora teimava com os filhos que não queriam mais ver a mãe trabalhando, mas cuidar de seus netos era uma alegria que a senhora via ser algo bem diferente de um trabalho.

De pão comprado e café tomado, a moça decidiu sair da rotina nessa quarta-feira que o sol a chamava para brindar de seu calor. Marcela separou apenas o seu violão enfeitado com algumas pulseiras de São Pedro e São Francisco, o botou nas costas e foi andar em direção da pracinha que aprendeu a amar.

Andar era algo que Marcela amava, a pracinha não ficava tão longe de sua casa, a menina andava pelas calçadas, observava a rotina de outras pessoas que andavam na rua. Gente sorrindo, gente atrasada para o trabalho, gente triste, gente estressada, gente cuidando dos filhos e gente ouvindo música alta. 

Marcela chegou na pracinha e sentou em um banco com uma visão privilegiada do sol que seguia quente. Se encostou no tronco da árvore que cobria o seu banco, preparou seu violão e tocou uma ou outra canção. Dias como esse são o que fazem a vida valer a pena, dias sem preocupação, dias de folga, dias de sol com calmaria e calor, dias assim eram o seu amor de verão.


SONETO DE VERÃO - Por Eduardo Pedrosa 

Onde deixaste o teu calor?
Na floresta, escura e fria?
Ou guardado por uma flor
Que um novo Verão prometia?

O que a Primavera deixou
Que não rui sob esse Sol ardente?
Nenhum dos sinais ajudou
A ver o caminho à frente?

Então, tua vida, como as folhas
Começa lentamente a cair
E de que importam as escolhas?
Ao Outono começas a ir

E quando passar o Verão
Quantas pétalas restarão?


INCERTEZA - Por Halaise Chagas

Acordei triste,
intrigado.
Pensando no tempo,
que é limitado.

Que foge por entre meus dedos.
Eu ainda nem o usei direito
e tudo vai-se acabando...

Gota a gota vai-se esgotando.
Vejo a vida indo embora e...
o que fiz até agora?!

(Só vejo o tempo passando...)

Acordei triste sem motivo aparente.
Talvez pelo mundo,
que anda meio doente. 
Pelos amores que morrem e cada lágrima derramada.

Cansada, me lamentando,
enchi a xícara até a bora. 
A chuva caindo lá fora e, 
dentro do quarto, eu me debatendo.

Pensei no sucesso, na glória,
nas coisas que, pra mim,
são monótonas.

Queria esquecer-me no tempo.
Queria me drogar com Belchior até de madrugada!
(ando com a vida meio apertada e tudo me vale um momento.)

Coloquei a caneta no bolso.
Quem sabe não me inspirava um pouco ver a  noite me cobrir?!
E nem andei apressado.
Mesmo com o rosto molhado já não me interessava o fim.

Pensei em Sartre.
O que o levou a escrever "O Muro"?!
Vejo seres tão imundos!
Talvez o mundo seja mesmo ruim.

Coloquei as mãos no bolso,
olhando para os meus pés encharcados,
pensamentos agitados:
o que eu sou, enfim?!

Talvez não seja nada!
Talvez seja uma carta para alguém abrir.
Talvez eu seja os meus versos incompletos,
meus medos tão incertos de nunca conseguir...

Talvez eu seja a incerteza.
Eu sou a incerteza!
Essa é minha única certeza:
a de que eu não sei nada de mim!


Essas foram as produções desse mês, vocês podem ver as dos meses anteriores no perfil do MAG. O tema do mês de fevereiro é LENDAS INDÍGENAS e você pode mandar sua produção para maoartistgang@gmail.com

Vamos valorizar o nacional, galera! Beijos e até a próxima!

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